Ana Abrunhosa: "Não podemos estar à espera das verbas do Governo"

Ana Abrunhosa: "Não podemos estar à espera das verbas do Governo"

A autarca de Coimbra reconhece que tem havido diálogo, mas “desconhece o modelo dos apoios” destinados às autarquias. Ana Abrunhosa avisa que “há trabalho para anos” e reitera que com a regionalização “as respostas urgentes eram muito mais rápidas”.

Guilherme de Sousa, Eduarda Maio - Antena 1 /
Antena 1

A presidente da Câmara de Coimbra avisa que há trabalho “muitos anos” para estabilizar a cidade após as cheias do Mondego.

“Temos trabalho para muitos anos, mesmo na parte urbana do rio Mondego, fazer as obras, desassoreamento, estabilizar e renaturalizar as margens”, afirma Ana Abrunhosa, sublinhando que não há tempo a perder porque em pouco tempo vem a época “dos incêndios”.
Em entrevista à Antena 1, numa emissão dedicada à região de Coimbra, a autarca confirma que o dinheiro do Governo só está a chegar às famílias e, por isso, a câmara tem desviado verbas “a outras áreas do orçamento.

“Já temos estado em diálogo, sabemos que vamos ter apoio, não sabemos o modelo desse apoio, mas a verdade é que não podemos estar à espera das verbas do Governo”, lamenta.
É um cenário de indefinição que leva Ana Abrunhosa a voltar a referir a necessidade do país avançar para a regionalização. “Se nós tivéssemos a regionalização, garanto que, pelo menos as respostas urgentes eram muito mais rápidas”, sublinha.

A autarca, muito elogiada pela resposta ao impacto das tempestades, refere que, ao longo do curso do Mondego em Coimbra, há danos “avultados”.

“Temos o rio completamente alterado. Todas as margens do Mondego foram destruídas. O nosso Rio Mondego não existe como nos recordamos. A montante do açude ponte temos as margens todas destruídas, tudo cheio de areia”, assume.
Agricultores com muitos prejuízos

Além da área urbana, a agricultura do Mondego também sofreu as consequências do mau tempo. “De uma forma geral, foram os horticultores os que tiveram os maiores prejuízos porque são os que têm maior expressão em culturas instaladas”, afirma o presidente da Associação de Agricultores do Vale do Mondego, admitindo “uma perda total”. João Grilo lembra ainda “enormes prejuízos” em estufas e outras infraestruturas.

“O canal de rega ficou destruído onde o dique rebentou”, lembra, salientando que agora os agricultores esperam pela recuperação que será da responsabilidade da Agência portuguesa do Ambiente (APA) e do Ministério da Agricultura.
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